
O Jeep freou a centímetros da minha roda.
Era um domingo, pouco antes das 13h. Um horário que deveria ser de relaxamento, de almoço em família, não de estresse. O asfalto estava quente, e eu estava ali, na minha bicicleta, vivendo aquele segundo que parece durar uma eternidade: o susto, a adrenalina, o som da freada brusca.
O motorista baixou o vidro. O rosto dele estava vermelho, veias saltadas. Ele não me xingou de nomes específicos, mas simplesmente despejou a sua raiva sobre mim, com uma intensidade que, claramente, não era só por causa daquele momento.
A reação automática de 99% das pessoas (e a minha reação antiga, confesso) seria devolver na mesma moeda. Gritar de volta. Ou, talvez, engolir a raiva, baixar a cabeça e pedalar para longe, tremendo de indignação e remoendo aquilo por dias.
Mas algo diferente aconteceu.
Naquele instante de caos, eu não reprimi a emoção. Eu também não a deixei explodir de forma destrutiva. Eu acessei o que chamamos de Estado de Recurso na Hipnose Generativa. Olhei para ele, respirei fundo e, internamente, acessei um lugar de calma.
Minha reação não foi o silêncio, nem o ataque. Eu disse para ele em tom alto, claro, mas de total acolhimento:
— “Querido!!! Um excelente dia pra ti!!!”
O efeito foi imediato. A reação dele foi ficar notadamente desconcertado. A raiva perdeu o alvo. Ele travou por um segundo e gaguejou:
— “Pra… pra ti também.”
E foi ali, no meio do trânsito de domingo, que a teoria se tornou carne: Inteligência emocional não é não sentir nada. É ter a coragem de sentir a coisa certa, na hora certa.
A Cultura da Anestesia: O “Tem Que” que nos Mata
Vivemos em uma sociedade viciada em não sentir. Desde crianças, ouvimos frases que funcionam como pequenos bloqueios em nosso sistema nervoso:
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“Engole esse choro.”
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“Seja homem.”
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“Não fica triste, isso é bobagem.”
Aprendemos que tristeza, raiva e medo são defeitos de fabricação. Inimigos que devem ser eliminados com remédios, com excesso de trabalho, com telas, com comida ou com a falsa positividade de rede social.
Criamos o que chamo de Cultura da Anestesia. E o preço dessa anestesia é o que vejo todos os dias no consultório: a Dívida Emocional.
Imagine que sua mente inconsciente é um banco. Cada vez que você reprime uma angústia, você não a elimina; você faz um empréstimo. “Não vou sentir isso agora”. O banco aceita. Mas ele cobra juros. E os juros são altos: insônia, irritabilidade desproporcional com a família, gastrite, bruxismo, ou aquele vazio no peito que aparece no domingo à noite.
A Metáfora da Criança: Acolher vs. Controlar
Pense na sua emoção difícil — a ansiedade, o medo, a raiva — como uma criança pequena chorando no quarto ao lado.
O método tradicional de “controle emocional” tenta trancar a porta do quarto para não ouvir o choro. “Cala a boca, eu preciso trabalhar”. O que acontece? A criança chora mais alto. Ela grita. Ela bate na porta com força.
A Hipnose Generativa propõe o caminho inverso. Ela nos convida a abrir a porta, entrar no quarto e pegar essa criança no colo. Você não diz “pare de chorar”. Você diz: “Eu estou aqui. Eu vejo você. O que você precisa?”.
Quando você acolhe a parte de você que está sofrendo, o paradoxo acontece: ela se acalma. Não porque você a forçou, mas porque ela foi ouvida. Aquele motorista do Jeep era uma “criança” gritando, cheia de dores não ouvidas. Se eu tivesse gritado de volta, seriam duas crianças chorando. Alguém precisava ser o adulto na sala.
Sinais de que Você Vive no Automático Emocional
Talvez você não tenha passado por um quase-acidente hoje, mas pode estar vivendo os sintomas dessa desconexão silenciosa. Observe se você:
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Sente uma irritação explosiva por coisas pequenas (uma louça suja, um atraso de 5 minutos).
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Tem um sono que não descansa, acordando já exausto.
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Não consegue ficar em silêncio (precisa sempre de TV, música ou podcast ligado).
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Sente culpa quando decide descansar.
Se você se identificou, saiba: você não está “quebrado”. Você está apenas desconectado do seu próprio sistema de navegação.
O Convite para a Vida Real
A verdadeira força não é a rigidez de quem não sente. Isso é fragilidade disfarçada. A verdadeira força é a fluidez de quem se permite sentir, processar e transformar.
Na Hipnose Generativa, não lutamos contra a mente. Nós a convidamos para dançar. Transformamos o veneno em remédio. Usamos a energia da raiva para impor limites saudáveis. Usamos a energia do medo para nos prepararmos melhor. Usamos a tristeza para processar o que precisa ir embora.
Se você está cansado de apenas sobreviver aos seus dias, anestesiado ou explodindo, talvez seja hora de parar de tentar “controlar” tudo. Talvez seja hora de aprender a sentir.
Porque sentir é o único caminho para realmente viver.
Você sente que está carregando essa “Dívida Emocional”?
Não espere os juros ficarem impagáveis!
A Hipnose Generativa é uma ferramenta breve, focada e profunda para ajudar você a sair desse ciclo e reencontrar seu eixo.
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